Entre os tímidos raios de sol que se infiltravam pelas nuvens, percorria a serra de Teresópolis a Petrópolis em minha jornada povoada de pensamentos. Foi nesse momento que recordei, em meio às minhas muitas interrogações existenciais, que mesmo nesse cenário sutil, posso extrair lições que me auxiliam a compreender o cotidiano da vida.

Apesar das densas nuvens que insistiam em ofuscar a luminosidade solar, eu sabia que não era noite. O sol sempre prevalece sobre as nuvens, mesmo quando sua intensidade é amenizada. Pois, sendo dia, ele está ali. Mesmo que não o vejamos, ele se faz presente e sua força se deixa perceber.

Compreendi então, como num relance de sensatez, que o sol representa Deus e as nuvens simbolizam as situações da vida. Reiteradamente elas coexistirão, onde quer que meus passos desejem trilhar.

Não é possível uma existência plena sem a luz do sol a nos guiar. Porém, também não existe uma vida que não seja, em algum momento, envolvida pelas nuvens da dor causada por decisões equivocadas, da tristeza provocada por despedidas indesejadas, ou da saudade que ecoa no coração quando pessoas amadas nos deixam.

Desço, lenta e constantemente, dirigindo meu carro, enquanto meus pensamentos fazem igualmente uma viagem para dentro de mim. A verdade é que os ciclos da nossa história têm seu início, meio e fim, como aquela estrada que serpenteia entre montanhas, envoltas por uma bela floresta. Assim como na vida, não me é justo estagnar. Como ali também não posso, pois, atrás de mim, vem alguém ansioso por concluir seu trajeto.

Identifico que seguindo em frente, na próxima curva, as nuvens já não são as mesmas. Elas também se movimentaram. É o vento que as desloca e, ao fazê-lo, os raios solares tornam-se cada vez mais intensos. Dirijo aquela máquina, mas quem me dirige são os pensamentos e todo aquele belo horizonte.

Compreendo, num relâmpago de sensatez, que haverá sempre o vento do Espírito a soprar na minha existência. Sua constância e força nos conduzem para mais perto dos amores, ou para mais longe das tristezas. O vento sempre estará presente. É ele que me permite, mais uma vez, vislumbrar o sol brilhando pela fresta da janela lateral. Noutras vezes, nas próprias fendas da existência.

Vivenciando aquele momento, percebo que ao longo dele habitam também flores deslumbrantes e, que assim como na vida, nossa jornada reserva cenários e belezas das quais somente o viajante pode apreciar. Portanto, parar não é uma opção! Claro, alguns instantes, para contemplar, respirar, admirar-se mais uma vez; isso sim, é permitido, ou melhor, até necessário.

O caminho precisa ser percorrido e é ao fazê-lo que deslumbramos tudo o que ali existe: tão próximo ao olhar, mas por vezes distantes ao toque. É a própria vida, quando realmente vivida, que nos faz ter vida. Então, por que não viver?

Meu destino se aproxima, o sol agora é mais intenso do que quando iniciei a jornada. Minha paz interior segue o mesmo caminho. A verdade é que desci mais uma vez aquela serra — tantas vezes quantas já perdi a conta —, mas, como o filósofo antigo disse, "ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontram as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou".

A estrada pode parecer a mesma de tantas outras viagens. No entanto, eu já não sou o mesmo! Pois, foi ao percorrer esse caminho que recordei que tudo na vida tem seu início, meio e fim. Que o sol nunca deixa de brilhar! Nunca! Que as nuvens são levadas pelo vento suave e constante! Que a verdadeira beleza da existência só é experimentada por aquele que não tem medo de vivê-la plenamente!